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Mercado

Exportação de frutas brasileiras: recorde na balança, gargalo na estrada

01/09/20266 min de leitura

O Brasil bateu recorde de exportação de frutas em 2025 pelo terceiro ano consecutivo. É uma notícia boa, mas que esconde um contraste: mesmo crescendo, o país ainda exporta uma fração pequena de tudo o que produz em frutas.

Segundo reportagem da CNN Brasil, as exportações brasileiras de frutas somaram US$ 1,45 bilhão em 2025, alta de 12% em valor e 19,6% em volume frente ao ano anterior. Entre janeiro e novembro, o país exportou cerca de 1,176 milhão de toneladas, crescimento de mais de 23% em volume na comparação com o mesmo período de 2024. Melão, limão e manga lideraram o ranking de volume exportado.

O que puxa esse crescimento

Parte do resultado vem de mercados compradores mais aquecidos e de um câmbio favorável à exportação. Mas também reflete um trabalho de anos em regiões produtoras voltadas à fruticultura de exportação, como o Vale do São Francisco, que investiram em irrigação, certificação e logística voltada especificamente para atender exigência de mercado externo, algo bem diferente do padrão do hortifrúti destinado ao mercado interno.

A estrada continua sendo o gargalo

Reportagens do setor apontam estradas em más condições, portos congestionados e falta de linhas marítimas adequadas para mercados mais distantes, como a Ásia, como os principais entraves logísticos à exportação de fruta brasileira. Para um produto perecível, atraso na estrada ou no porto não é só custo, é perda direta de qualidade e de janela de venda, o mesmo problema que discutimos, em escala menor, em Logística e rastreabilidade no setor de FLV.

Exigência de sustentabilidade e rastreabilidade

Além da logística, cresce a exigência de compradores internacionais por rastreabilidade, redução de carbono e uso responsável da água. Isso empurra o produtor exportador para um padrão de controle bem mais rígido do que o exigido para o mercado interno, e explica por que boa parte da fruticultura de exportação já opera com processos mais próximos do que seria ideal para o hortifrúti como um todo.

Vale lembrar que exportação também está sujeita ao mesmo tipo de risco climático que afeta o mercado interno, tema de Dependência climática: como o tempo dita o preço do hortifrúti, e ao mesmo calendário de safra, discutido em Sazonalidade no hortifrúti.

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