Perdas pós-colheita no hortifrúti: o que os números do Brasil mostram
Estimativas da FAO, citadas com frequência pela Embrapa, apontam que entre 40% e 50% de toda a fruta e hortaliça produzida se perde entre a colheita e a mesa do consumidor. Mesmo levando em conta que estudos diferentes chegam a números diferentes, a ordem de grandeza já diz muito sobre o tamanho do problema.
A Embrapa mantém uma linha de pesquisa dedicada a perdas e desperdício de alimentos, com estudos específicos sobre frutas e hortaliças, incluindo um manual de perdas pós-colheita e levantamentos de campo, como o realizado pelos pesquisadores Milza Lana e Antônio Moita sobre a qualidade das hortaliças folhosas que chegam ao varejo do Distrito Federal.
Onde essa perda se concentra
Segundo a própria Embrapa, as causas mais citadas não são misteriosas: falta infraestrutura adequada de armazenagem, falta uma rede de transporte que preserve a qualidade do produto durante o escoamento, e falta, principalmente, conscientização dos produtores sobre boas práticas de colheita e pós-colheita. Em outras palavras, boa parte da perda não acontece por um evento único e dramático, ela se acumula em pequenas falhas ao longo do caminho.
Manuseio e embalagem aparecem no topo da lista
Entre essas falhas, manuseio inadequado e embalagem incompatível com o produto estão entre as causas mais apontadas de dano mecânico, o tipo de perda mais fácil de evitar com processo e treinamento. Detalhamos essas boas práticas em Embalagem e manuseio pós-colheita.
Números grandes, causa raiz específica
É tentador tratar perda pós-colheita como um problema estrutural grande demais para resolver. Na prática, ela se decompõe em causas bem específicas, que conversam direto com os outros temas deste blog: falta de informação em tempo real sobre onde vender o lote antes que ele se deteriore, tema de Perecibilidade: o relógio que corre contra o hortifrúti, e falta de visibilidade sobre o próprio prejuízo, discutido em Redução de desperdícios em hortifrúti.
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